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Afroidentidade reforça compromisso do IFTO com educação antirracista

Identidade 2025

Evento no Campus Gurupi destacou identidade, autoestima e cultura afro-brasileira como pilares para uma sociedade mais democrática
por Maiara Sobral publicado: 17/11/2025 10h21 última modificação: 18/11/2025 13h42

 

O debate sobre identidade, educação e enfrentamento ao racismo ganhou força no 7º Afroidentidade, evento realizado pelo Instituto Federal do Tocantins (IFTO), durante o Identidade, entre os dias 10 e 13 de novembro, no Campus Gurupi. Entre conversas, oficinas e reflexões, o encontro evidenciou a importância de promover uma educação antirracista, capaz de reconhecer histórias, acolher identidades e estimular transformações pessoais e coletivas.

A professora Honorata Dias, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), ressaltou que o evento tem como principal objetivo promover reflexões sobre educação, com ênfase na perspectiva antirracista. Ela lembrou que a instituição de ensino tem papel fundamental nesse debate e citou a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, além das portarias internas da própria instituição que reforçam essa diretriz. Para ela, mais do que uma educação antirracista, trata-se de defender uma educação cidadã e democrática, que alcance a escola, a universidade e a sociedade como um todo. Honorata pontuou ainda que a iniciativa organizada pelo IFTO representa um marco importante, pois contribui para ampliar o diálogo sobre o enfrentamento ao racismo e fortalece o compromisso com a construção de uma universidade antirracista.

"A realização do afroidentidade aqui, nesse evento da Jice, é de extrema importância, porque somos os povos originários, o Brasil é um país misto e a instituição é um lugar misto, de várias raças, etnias e religiões. E falar sobre a cultura negra, sobre a afroidentidade é necessário,  para conhecer mais sobre as nossas origens, a nossa luta, a história do povo negro e a nossa persistência", destacou a estudante do curso de pós-graduação Lato Sensu Ensino de Ciências da Natureza e Matemática do Campus Araguatins, Lanara Sabrini.  

IMG-20251112-WA0347.jpgPor sua vez, Celenita Bernieri, da Comunidade Quilombola Lageado, destacou durante a oficina Identidade e Autoestima: fortalecimento da estética afro que processos de aceitação da própria identidade demandam tempo e sensibilidade. Ela enfatizou que cada depoimento das participantes revela momentos de despertar e transformação, mesmo quando surgem inseguranças ou nervosismo. Segundo a docente, reconhecer a própria beleza e fortalecer o respeito por si mesma faz parte de um caminho importante de construção da autoestima. Celenita enfatizou ainda que vivências como a oficina ajudam a inspirar esse movimento, especialmente ao possibilitar que as jovens explorem elementos da estética afro, como o uso do turbante — algo que, para muitas, é aprendido pela primeira vez nesses espaços. Para ela, aceitar a identidade vai além do cabelo, envolvendo também a pele e outros aspectos marcados pelo racismo estrutural, e por isso esse processo deve ser acolhido como parte natural da trajetória de cada uma.

O 7º Afroidentidade foi encerrado com um forte sentimento de pertencimento e aprendizado coletivo entre os participantes. As discussões, vivências e relatos demonstraram que a construção de uma sociedade mais justa passa pelo reconhecimento das identidades e pela promoção de uma educação verdadeiramente democrática. Ao final, ficou evidente que iniciativas como essa não apenas sensibilizam, mas também impulsionam transformações que ecoam para além dos dias de programação.