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Nota de Repúdio

por publicado: 24/08/2020 17h44 última modificação: 24/08/2020 17h45

O Núcleo de Estudos e Pesquisa em Gênero, Juventude e Etnicidade NEPU/Ubuntu, do IFTO, campus Gurupi, vem a público repudiar os sórdidos ataques racistas do qual a professora Márcia Moreira Custódio, docente do Instituto Federal do Triângulo Mineiro – IFTM e professora colaboradora do NEPU/Ubuntu, foi vítima no último dia 7, durante o I Ciclo Formativo do NEABI IFTM campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico, uma atividade online.

A Coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas – NEABI e do Grupo de Estudos e Pesquisas Quilombo Neabi, ambos vinculados ao IFTM campus Avançado Uberaba Parque Tecnológico, Márcia, participava do evento “A gosto do negro: as relações étnico-raciais em projeção”, do qual era uma das organizadoras, quando a transmissão foi invadida. A professora Márcia passou então a ser atacada com uma série de frases racistas e machistas.

Uma música com a letra “Eu odeio negro, se tu é negro não respeito, sou branco ariano, ser racista é meu direito, bitch” e textos como “Preto = Macaco” foram exibidos durante a live do evento, no momento da fala da professora, na presença de todos os participantes, conforme matéria divulgada no site https://globoplay.globo.com/v/8785784/?. Como a professora Márcia era a única negra que estava participando da roda de conversa do evento como debatedora, viu-se pessoalmente agredida e ameaçada em sua integridade física e psicológica, com a avalanche de ideias reacionárias de pessoas e grupos extremistas que estão se alastrando em nossa sociedade e nas mídias digitais, haja vista que, enquanto professora da Rede federal de Educação, é uma pessoa pública.  

Não podemos nos calar diante de tantas atrocidades e violências contra a população negra brasileira e contra a professora Márcia. Para uma sociedade que se identifica como democrática e de direitos é impossível conviver passivamente com a injúria racial praticada contra Márcia Moreira Custódio.

Diariamente milhares de mulheres sofrem algum tipo de violência de gênero, colocando o Brasil em 5º lugar no ranking mundial de feminicídios (OMS, 2015). Não podemos nos omitir diante de tais atrocidades e da injúria racial sofrida pela professora Márcia Moreira Custódio.

Nós, docentes do Instituto Federal do Tocantins, campus Gurupi, membros do NEPU/Ubuntu, nos solidarizamos com a professora Márcia e todas as demais vítimas de racismo, dentro e fora do ambiente acadêmico.

Compartilhamos a dor e a angústia da professora Márcia Moreira Custódio com essa crueldade ocorrida e, principalmente, a sua preocupação com nossos(as) alunos (as) pretos (as) diante desse cenário de instabilidades e perigo para a população negra e pobre deste país. 

Estendemos a ela nossa solidariedade e resistência.

Repudiamos as agressões desferidas à professora Marcia Moreira Custódio!

Repudiamos toda as formas de machismo!

Repudiamos todo ato Racista!

Ninguém solta a mão de ninguém!

Núcleo de Estudos e Pesquisa em Gênero Juventude e Etnicidade NEPU/Ubuntu, IFTO, Campus Gurupi, TO, 20 de agosto de 2020.