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Mesa-redonda aborda temática indígena e da consciência negra

Inafro

Essa é a 3ª edição do evento, realizado no Campus Porto Nacional.
por Luciana Santal publicado: 20/11/2018 20h32 última modificação: 20/11/2018 20h32

Para promover o debate entre a comunidade acadêmica sobre a cultura, a luta e a história dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas, foi realizado no dia 19 de novembro, no Campus Porto Nacional, do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), a 3ª edição do Seminário de Consciência Indígena e Afro-brasileira (Inafro). O evento, feito em parceria com a Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Proae) e Reitoria do IFTO, teve início com a apresentação do grupo "Carimbó do Cerrado", composto por alunas do 2º ano do curso técnico em Administração integrado ao ensino médio do Campus Porto Nacional.

Após a execução do Hino Nacional, foram convidados, para compor a mesa diretiva da solenidade de abertura do 3º Inafro, a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Marilene Sepulvida; o diretor do Campus Porto Nacional, Edilson Leite; e o reitor do IFTO, Antonio da Luz Júnior. A pró-reitora afirmou que aquele era um dia de uma aula diferente, para abordar um tema transversal. "Apesar de sermos todos seres humanos, ainda se faz necessário discutir essas questões, pois elas fundamentam o nosso cotidiano e orientam nossas ações e escolhas. Essa aula é para refletir sobre a temática indígena e da consciência negra, sobre o nosso termômetro de tolerância para aceitarmos a diferença", ressaltou.

O diretor Edilson agradeceu convidados, servidores e estudantes que vieram participar ou ajudaram na organização do evento. "É uma honra sediar o Inafro. Convido os participantes a uma reflexão sobre atitudes de preconceito e racismo e peço que combatam essas ações também", reforçou. O reitor Antonio explicou que o Inafro foi pensado para ser descentralizado, mas após conversas com integrantes da gestão, a ideia agora é que as discussões não se limitem a um dia apenas, mas que sejam realizadas durante o ano todo. "O IF tem que ser um local de livre manifestação de todos os povos e todas as culturas e, para que isso aconteça, é preciso que as questões sejam discutidas no dia a dia com alunos e servidores e  também perpassem todas as disciplinas", ressaltou.

Em seguida, foi iniciada a mesa redonda com o tema "Desafios para a permanência e êxito escolar dos estudantes negros, indígenas e quilombolas" com a participação do professor do Campus Dianópolis, Stânio de Sousa Vieira, e do gerente em Proteção dos Povos Indígenas da Secretaria de Estado de Cidadania e Justiça do Tocantins, Josimar Sitbro Calixto Xerente. O primeiro a falar foi o professor Stânio, que explicou que existe uma desigualdade racial flagrante no Brasil e o que são as políticas de ações afirmativas. Explicou que elas podem ser feitas via governo e também pela iniciativa privada e com o objetivo de corrigir desigualdades para buscar o equilíbrio social. Levantou alguns pontos do que considera "racismo à brasileira", como os relacionados a comentários pejorativos sobre a aparência física dos negros e também à discriminação em entrevistas de emprego. Defendeu que esses são apenas alguns dos motivos que revelam a importância de se discutir a consciência negra.

O gerente Josimar Sitbro afirmou que existe preconceito tanto com negros, quanto com indígenas e quilombolas. Segundo ele, no dia a dia, as pessoas têm muito preconceito porque desconhecem as características da cultura akuem, como ele diz ser o certo para se referir a "indígena". "Eu tinha um outro compromisso e desmarquei para vir aqui. Vim aqui para que vocês me conhecessem e para que depois esse conhecimento seja passado cada vez a mais pessoas. A partir desse diálogo, se multiplica o que foi conversado", relatou. Sitbro também contou sobre a escassez de água que impacta na caça e pesca das comunidades. "Nós akuems, que somos originários da terra, não temos preconceito com os outros, mas sofremos preconceito", enfatizou.

A pró-reitora Marilene ficou responsável por intermediar as reflexões após as falas dos dois convidados e convidou os presentes a participarem da conversa. Os alunos Cleiber, do Campus Colinas do Tocantins; Bruno, do Campus Dianópolis; Rivaldo, do Campus Porto Nacional, que é surdo, fizeram intervenções e apresentaram questionamentos sobre legislação de cotas, meritocracia, e processos avaliativos para indígenas e para pessoas com necessidades específicas. Após as conclusões dos participantes, seguiu-se para o intervalo de almoço.

Conforme a programação, no período vespertino, foram realizadas oficinas e a reunião da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis com os Núcleos de Estudos Afro-brasileiro e Indígena (Neabis) e servidores representantes dos campi. O propósito da reunião é discutir os desafios e dificuldades da temática indígena e afro-brasileira no Instituto, bem como elaborar um plano de trabalho em conjunto para o ano de 2019.